Antagonismo moderno: vendendo produtos artesanais pela internet

A Júlia nos pediu ajuda para levar adiante o sonho dela, que é trabalhar com seu artesanato. E nós ajudamos!

A Julia mora em São Paulo e trabalha em uma empresa. A carga horária não é das mais leves – oito horas por dia. Na volta para casa ela emenda uma jornada dupla em seu pequeno ateliê de costura. A inclinação para as linhas e agulhas vem das avós e é a criação que faz os olhos dela brilharem. A lista de produtos vai de almofadas a cachecóis. Para divulgar seu trabalho ela montou uma loja online e usa as redes sociais. A Julia escreveu pra gente dizendo (com várias exclamações): “quero mais!! Muito mais!!”. Fomos atrás de quem saca de e-commerce pra nos ajudar nessa missão fermento!

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De cara, vale ressaltar que o trabalho artesanal nunca foi tão valorizado. Em tempos de produção industrial, quem faz à mão é rei. Torná-lo único é o ponto chave para sair na frente. “É muito importante estudar o mercado. A diferenciação deve ser feita pela inovação, busca de ícones de identidade, refinamento. Lembrando que artesanato é sinal de bom gosto e preço alto”, ressalta Luciana Lessa, analista de Marketing do Sebrae. Fique ligado no que agrada seu público e sempre busque novas referências. É bem mais difícil resistir à compra quando sabemos que não há nada igual, não é? O artesão tem dificuldades de jogar com o fator preço, justamente pelo fato da produção ser pequena e mais demorada. Junte suas habilidades e seu potencial criativo para fazer produtos especiais. Muitas vezes, é mais eficaz fugir dos tubarões focando em um segmento específico – poucos peixes no oceano, mais chances de sucesso.

A decisão pela venda online é acertada para casos como o da Julia. No entanto, mesmo no mundo digital é preciso seguir alguns trâmites burocráticos. Para formalizar o negócio sem quebrar o porquinho, opte pelo registro como Microempreendedor Individual (MEI). Além da isenção de uma enxurrada de impostos, a tributação é fixada entre de R$ 37 e R$ 42 mensais. Clique aqui para saber como fazer o registro. Com a documentação em dia, é hora de pensar em como vai a sua presença na internet.

Matheus Faria, responsável pelo setor de Marketing Digital da Multiweb, sabe as manhas dos campeões de views e, mais importante ainda, de vendas. Postar e rezar não é uma boa. “Um e-commerce precisa de tráfego para gerar vendas. Para se ter ideia do volume de visitas que é preciso para isso, monitore a taxa de conversão. Hoje, a média do mercado fica entre 1,4% e 1,6 %. Isso mostra o tamanho do desafio”, explica o consultor. A forma mais fácil de conquistar um tsunami de internautas é apostar em links patrocinados, anúncios em redes sociais e banners em sites e blogs que tenham a ver com seu produto. A grana pode não ser suficiente para investir nisso agora, mas é legal planejar uma reserva no futuro para que o negócio não pare de crescer.

E o que dá pra fazer agora, Matheus? “O primeiro local em que as pessoas procuram por produtos e serviços é no Google. Ter sua página indexada nos resultados da pesquisa elevam as chances de levar pessoas ao site. Crie conteúdos relevantes e que sempre sejam relacionados aos produtos da loja”, diz. O Google Trends é uma ferramenta para saber os termos mais buscados. Outra dica do Matheus é o Webmaster Tools – “ele mostra as palavras chaves que estão gerando mais tráfego para o site. Isso ajuda no planejamento de conteúdo”.Para não deixar o blog com cara de feirão, faça posts sobre assuntos que façam parte do universo do produto, não apenas sobre ele. Uma boa forma de diminuir o risco de perder clientes é colocar o link para a loja sempre que citar seu negócio/produto.

Muitas pessoas se interessam, mas desistem da compra pela dificuldade de encontrar o canal. Aqui entra outro ponto importante. Sua loja é fácil de navegar? “Pode parecer bobagem, mas uma pequena alteração na cor do botão ‘finalizar compra’ pode proporcionar o aumento de conversão. Faça o teste com seus amigos, peça que eles simulem compras no seu e-commerce. Considere as observações deles e faça os ajustes necessários”, aconselha Matheus.

E para as redes sociais? Não é só a elaboração do post que importa. Fique de olho nas respostas! O que traz mais engajamento, sejam curtidas, comentários ou compartilhamentos, mostra o que leva as pessoas a interagirem com a marca. Quanto maior for interação mais probabilidade da página/perfil ter grande alcance.  De que adianta ter milhares de seguidores se ninguém dá bola para seu conteúdo?

Já existem no mercado opções para fechar o ciclo da venda nas próprias redes sociais. A plataforma O arco permite que a compra seja feita no Instagram, transformando seu perfil em uma loja virtual. Mesmo com todas essas estratégias, o boca a boca continua sendo crucial para qualquer tipo de comércio. Se organize para dar respostas rapidamente e construa uma comunicação de qualidade com o cliente. Tudo isso ajuda você a entrar na barra de favoritos e a “marcarem” amigos nas suas páginas.

Outro formato que vem ganhando adeptos são os sites de venda que reúnem o trabalho de várias pessoas. A maioria não cobra pelo cadastro, mas recebe uma comissão nas vendas. O Elo7 é um dos maiores do Brasil especializado em produtos artesanais. “São mais de 8,8 milhões de visitas por mês. Temos cerca de 80 mil vendedores cadastrados. O site oferece vantagens como diversas formas de pagamento, descontos para envio e a possibilidade de troca experiências e dicas entre os participantes”, pontua Renata Godoy, da equipe de atendimento da empresa.

Chamamos reforços para te inspirar. Veja a história e as dicas de dois empreendedores que apostaram em seus talentos manuais e fazem da internet suas vitrines:

Um prato, uma caneta especial e uma ideia de presente diferente. Esses foram os ingredientes que resultaram no Bruna Zanetti Atelier. No ano passado, ela postou em seu perfil no Instagram a foto do mimo que fez para um amigo. Bastou para que amigos, amigos-de-amigos e amigos-de-amigos-de-amigos quisessem ter um. Hoje suas porcelanas personalizadas viajam para o Maranhão, Porto Alegre, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e já figuraram na revista Elle.

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Meu trabalho deu um salto quando o Rodrigo Ladeira, do site Casa Aberta, postou o meu produto no Instagram dele. É legal curtir perfis que tenham a ver com o seu negócio. Eu sigo diversos de arquitetura e decoração, além de blogueiras. Eles podem não te seguir de volta, mas pode ser que vejam, gostem, compartilhem!

Gosto de trabalhar sob encomenda porque não tenho prejuízo algum. Tudo que faço é vendido – não fico com peças “encalhadas”. No entanto, participei recentemente de algumas feiras e bazares e gostei da experiência. Foi muito legal ver as pessoas conhecendo meu trabalho pela primeira vez, a venda online nos priva disso.

Acho que a embalagem conta muito. No caso de produtos artesanais, tudo tem que ser feito com cuidado e precisam fazer parte da identidade da marca. Fiz questão de mandar fazer etiquetas usando o processo de tipografia artesanal porque isso diz muito sobre o meu trabalho.

É importante ter uma identidade. Hoje, quem conhece meu produto bate o olho e já reconhece. Isso é construído aos poucos, mas acho fundamental criar esse estilo e não ficar apenas reproduzindo o que já existe por aí.

No meu caso, o Instagram é meu principal meio de divulgação. As fotos que posto são o contato que o potencial cliente tem com meu produto. Ele não poder tocá-lo, ver de perto. Por isso me preocupo com a qualidade das fotos, com a iluminação, se tem algum objeto interferindo na estética da imagem. Outra coisa que faço é postar imagens dos pratinhos sendo usados no dia a dia. Gosto de mostrar como eles funcionam na decoração, fotos de clientes que já estão usando em casa.

Um diferencial no meu negócio é o fato dele ser personalizado. Cada produto é elaborado junto com o cliente. Quando uma pessoa recebe um presente feito e pensado pra ela, por exemplo, o efeito é especial.

Da necessidade de encontrar caderno que traduzisse sua personalidade para uma aula do curso de Design Gráfico, Luiz Marcatto percebeu que não haviam produtos com as características que ele queria no mercado. Ele aprendeu a técnica de encadernação manual e produziu um com a sua cara. A enxurrada de pedidos de amigos e conhecidos foi instantânea. Em 2011, ele lançou a Libretto, especializada em cadernos artesanais “com personalidade”, como ele diz.

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Vi a potencialidade do negócio quando precisei do produto e ele não existia. Com o sucesso entre meus amigos, fiz uma página no Facebook e comecei a trabalhar por encomenda.

Comecei com um blog para atrair pelo Google pessoas que tinham interesse em trabalhos artesanais, cadernos gráficos, produtos de design.

Pedi a amigos designers e ilustradores para criarem capas. Apostei no formato “séries”. Todo mês eu lançava uma série temática de cadernos.

Quando abri de fato a empresa com a minha sócia, pensamos qual seria a cara dela. Investimos na criação de um branding que representasse a nossa identidade artesanal, com uma pegada mais moderna.

Identificamos que o público da Libretto é bem parecido com a gente. Isso facilita na hora de saber o que agrada. Grande parte dos nossos consumidores são arquitetos, designers, pessoas ligadas à arte. Além da estética, sabemos que tipo de material eles procuram.

Antes de colocar o site no ar, pedimos que amigos dessem uma olhada e apontassem o que poderia ser melhorado.

A marca começou com uma cara bem retrô. Isso foi mudando à medida que fomos acompanhando os comentários e os feedbacks de clientes e amigos. Hoje somos mais clean, mas sem perder o nosso estilo.

Buscamos diversificar nossa linha de produtos. Além dos cadernos, já temos agendas, bottons e material de papelaria.

Nossa loja online é movimentada pelos consumidores finais, que também tem a opção de encomendar produtos personalizados. Com o tempo, fomos procurados por empresas para fazer brindes e presentes. Hoje elas representam a maior parte do nosso faturamento. Aconteceu de forma espontânea via internet, mas queremos investir na prospecção de clientes no próximo ano.

É isso aí, Júlia! Aprenda com quem já tem uma loja online de artesanato e não tenha medo de empreender também!

 

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