3 perguntas para uma jovem cheia de atitude empreendedora

Mariam, jovem que chegou ao Brasil como refugiada e agora sai para ser aluna de Harvard, é uma verdadeira inspiração

A Geórgia, país da ex-União Soviética, se viu mergulhada em uma guerra civil no final da década de 90. Por conta do conflito, a família de Mariam Topeshashvili buscou refúgio no Brasil. Começava ali a jornada de uma “brasileira” que é motivo de orgulho para o nosso país.

Estudante de uma escola pública do Rio de Janeiro, Mariam participou de Olimpíadas de Matemática, aprendeu cinco idiomas e, ainda no Ensino Médio, criou com amigas o SER Voluntário. O projeto ajuda a fazer a ponte entre jovens que querem fazer trabalhos voluntários e instituições que precisam desse tipo de apoio. Agora, a jovem vai atrás de desafios maiores: ela acaba de ser selecionada como bolsista para estudar Ciências Políticas na famosa Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Nós conversamos com a Mariam sobre a sua jornada, um bate papo inspirador que você confere abaixo.

ACADEMIA SEBRAE: Participante de Olimpíadas de Matemática, fundadora de projetos de voluntariado, fala cinco idiomas e agora aluna de Harvard… Ufa! Vendo a sua trajetória, é fácil perceber que você não chegou aí por acaso. De onde vem toda essa atitude empreendedora?

Mariam: Primeiramente, muito obrigada! Grande parte dessa minha vontade de sempre superar obstáculos tem a ver com a minha história. Meus pais, quando chegaram no Brasil em 2001 tiveram seus diplomas de Ciência Política/Economia e Enfermagem recusados e tiveram que construir um novo caminho para a nossa família. Assim, vi meu pai começar a vender bebidas na praia de Copacabana e minha mãe a trabalhar como empregada doméstica e depois, como Guia de Turismo para arcar com os custos na vida no Brasil. Eles sempre tiveram uma atitude positiva e proativa: estavam dispostos a superar os problemas seja estudando um novo idioma seja aprendendo uma nova função. Eles sempre almejavam algo maior a cada passo que davam. Então, desde criança aprendi o valor do trabalho e da dedicação e ao mesmo tempo, sempre quis dar algo em troca aos meus pais que fizeram tudo para que eu tivesse um futuro melhor.

Eu acredito que oportunidades existem no mundo inteiro e estão disponíveis para todos nós: basta que corramos atrás. Como exemplo, gostaria de citar o programa Jovens Embaixadores — procurando uma oportunidade de aprender mais sobre a cultura americana e conhecer outros jovens com vontade de mudar o Brasil, me deparei com essa oportunidade. Me inscrevi, fiz as provas, fui entrevistada e passei! Sempre digo para que as pessoas sonhem alto pois nossos objetivos são o que nos movem.

 

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AS: Sabemos que você é apaixonada por leitura, então queremos te fazer algumas perguntas nesse tema: acha que essa “paixão” foi importante na sua trajetória? Tem algum gênero preferido? Além de ler, o que mais você gosta de fazer no seu tempo livre?

Mariam: Com certeza! Quando eu era menor e queria brincar tinha que pedir para o meu pai abandonar o livro que estava lendo — ele sempre tinha um livro em mãos! Isso me deixava extremamente irritada porque eu não conseguia compreender como um livro poderia ser melhor do que a brincadeira que eu estava sugerindo. Com o tempo, decidi entender o que é que aquelas páginas amareladas tinham de especial e hoje posso dizer que continuo intrigada mas de uma forma um pouco diferente.

A leitura me ajudou no sentido de me transportar para outros cenários e épocas quando eu sentia que a realidade não dava conta de expressar o que eu estava pensando. Alternativamente, os livros me ensinavam coisas novas e eu adoro aprender! Eu cresci lendo e isso, aliada com outros fatores, me fez amadurecer muito rápido e me fez olhar as coisas ao redor de mim com novos olhos e diferentes filtros. Desde pequena sou apaixonada pela Agatha Christie por sua forma de construir personagens com pensamentos extremamente complexos e interconectados, então até hoje livros de mistério são meus favoritos, aliados a livros de história, particularmente sobre tópicos relacionados ao século XX. Para falar a verdade, o tamanho da minha paixão por livros é tanta que um dos meus armários de roupas está lotado de livros e minha mãe não sabe mais o que fazer!

AS: Sua jornada com certeza não vai parar por aí, não é? Quais são seus próximos planos?

Mariam: Bem, espero que não! Eu não tenho nenhuma vontade de parar. Espero nos próximos anos concluir minha graduação em Harvard e posteriormente trabalhar com tópicos relacionados a Economia e Desenvolvimento, para adquirir o conhecimento necessário para criar minha própria ONG de apoio a refugiados na transição do país de origem para o país de refugio. Tendo passado pelo processo de pedido de refugio, de permanência e de naturalização eu sei como a falta de informação é um dos maiores problemas para essas comunidades, tanto no Brasil como no mundo e eu gostaria de oferecer uma estrutura de suporte linguístico, legal e emocional para esse grupo. Fora isso, espero poder participar de outros projetos dentro da universidade e tentar desenvolver uma conexão maior entre a Geórgia e o Brasil.

É isso aí Mariam! Estamos torcendo por você! Vai lá e faz! 😉

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